Visibilidade em IA: como medir se o ChatGPT, o Gemini e o Perplexity citam sua marca

O dono da empresa pergunta ao ChatGPT quais são as melhores empresas do setor, não vê o próprio nome e liga para o marketing. O marketing faz a mesma pergunta, aparece em terceiro e responde que está tudo bem. Os dois têm razão e os dois estão errados: uma pergunta feita uma vez, por duas pessoas, em duas contas, é anedota, não medição. Este guia cobre o que medir, a conta do share of voice com exemplo, as fontes de dado que existem de verdade e as armadilhas de quem já montou essa rotina.

Também chamada:
AI visibility · share of voice em IA · presença em IA · citação em IA
Unidade:
% das perguntas com menção, nº de citações, sessões vindas de IA
Cadência:
rodada semanal ou quinzenal com a mesma lista; leitura mensal
Resposta rápida
Visibilidade em IA é a medida de quantas vezes os assistentes de IA citam sua marca quando alguém pergunta sobre a sua categoria, de quais fontes eles tiram a resposta e quantas visitas isso gera. Mede-se com uma lista fixa de perguntas, feita sempre do mesmo jeito: perguntas de categoria, sem o nome da marca, dão o share of voice; perguntas de marca mostram se a IA te descreve certo. O canal AI Assistant do GA4 conta quem clicou, e o relatório AI Performance do Bing conta citações no Copilot. Uma pergunta só, feita uma vez, não mede nada: a resposta muda de um dia para o outro.
SoV em IA = ( perguntas da lista com menção à marca / total de perguntas da lista ) × 100

O que é visibilidade em IA

Visibilidade em IA é o nome que o mercado deu a uma pergunta antiga, feita num canal novo: quando alguém procura o que eu vendo, eu apareço? No Google, a resposta vinha de posição e impressão no Search Console. Nos assistentes de IA, ela se desdobra em três números diferentes, e é a confusão entre eles que gera briga de reunião:

  1. Menção: a IA citou o nome da marca na resposta? Em quantas perguntas da categoria? Isso é o share of voice.
  2. Citação de fonte: a IA mostrou o seu site como fonte, com link ou nota de rodapé? Ou citou um diretório, um comparativo, um perfil no LinkedIn falando de você?
  3. Visita: alguém clicou e chegou ao site? Isso o GA4 conta. Menção sem clique ele não vê.

Uma marca pode ter menção alta e zero visita, porque a IA fala dela mas cita a fonte de outro. Pode ter visita e menção baixa, porque aparece numa única resposta muito procurada. Medir só um dos três é olhar um pedaço do funil e achar que é o funil inteiro.

Memória do modelo × busca na hora

Esta é a distinção que mais muda o número, e quase ninguém faz. Um assistente pode responder de dois jeitos:

  • Da memória do modelo: o que ele aprendeu no treino. Sem busca, a resposta se baseia no que o modelo aprendeu até a data de corte do treino.[1] Tende a citar quem já era conhecido quando o treino aconteceu, e muda devagar.
  • Com busca na hora (grounding): o assistente pesquisa a web antes de responder e cita as páginas que achou. O Google descreve AI Overviews e AI Mode fazendo “query fan-out”, várias buscas relacionadas por subtema antes de montar a resposta.[2] O Bing chama as buscas internas do Copilot de grounding queries.[3]

Na prática, uma empresa pequena que publicou uma boa página ontem pode aparecer na resposta com busca e não existir na resposta de memória. E uma ferramenta que consulta o modelo pela API, sem busca, está medindo a presença estabelecida, não o que o usuário vê no produto com busca ligada. As duas medidas são legítimas. O erro é não saber qual você está olhando.

Por que isso vira dinheiro

Comprador B2B pergunta à IA antes de pedir orçamento. Se a IA responde com três concorrentes, você não entrou na lista curta, e nenhum relatório de lead perdido mostra isso: o lead nunca existiu. Pior é aparecer descrito errado, com o produto que saiu de linha ou o preço de dois anos atrás. Aí o lead chega esperando outra coisa, e o comercial gasta a primeira call desfazendo a confusão.

Como calcular o share of voice em IA

Por assistente, por período, sempre com a mesma lista
SoVIA = ( perguntas com menção à marca / total de perguntas da lista ) × 100
Citaçãosite = ( respostas que citaram URL do seu domínio / respostas com menção à marca ) × 100
SoVcompetitivo = ( menções da sua marca / menções de todas as marcas acompanhadas ) × 100
Uma empresa de software para clínicas monta 40 perguntas de categoria, sem o nome dela, roda cada uma 3 vezes em cada assistente e conta como “mencionou” quando a marca aparece em pelo menos 2 das 3. No assistente A, a marca aparece em 12 das 40: SoV de 30%. Das 12, só 4 citaram o site: taxa de citação de 33%.
AssistentePerguntas com mençãoSoVRespostas que citaram o siteTaxa de citação
Assistente A12 de 4030%4 de 1233%
Assistente B6 de 4015%1 de 617%
Exemplo ilustrativo, não benchmark: 40 perguntas de categoria, 3 repetições por pergunta.

Leitura: no assistente A a marca entra em quase um terço das conversas da categoria, mas em dois terços delas a IA sustentou a resposta com fonte de terceiro. O trabalho não é “aparecer mais”. É descobrir quais fontes a IA usou e estar nelas, ou virar uma delas.

A pegadinha do cálculo: pôr o nome da marca na pergunta. “O que a [Marca] faz?” menciona a marca todas as vezes. Pergunta de marca serve para outra coisa (ver se a IA te descreve certo) e fica numa lista separada, com denominador próprio. Misturar as duas infla o SoV até ele não dizer nada.

Fontes de dado: o que cada uma mede

Não há benchmark público confiável de share of voice em IA por setor, e muito menos para o Brasil. Qualquer “média do mercado” que aparecer vem de ferramenta comercial com amostra própria: trate como direcional. O que existe com fonte primária são as fontes de dado e o que cada uma enxerga.

FonteO que medeO que não medeFonte
Lista fixa de perguntas de categoria (sem marca)Share of voice, posição na lista, concorrentes que aparecem junto, URLs citadasQuantas pessoas de fato perguntam aquiloMétodo próprio
Lista de perguntas de marca (“o que é X”, “X é confiável?”, “quanto custa X?”)Se a IA descreve a marca certo, com oferta, preço e fonte atuaisSe a marca aparece para quem não a conheceMétodo próprio
GA4, canal AI AssistantSessões de quem clicou em link dentro de assistente reconhecido (a documentação cita ChatGPT, Gemini, Deepseek, Copilot e Grok); medium ai-assistantMenção sem clique; assistentes fora da lista do GoogleGoogle Analytics Help[4]
Bing Webmaster Tools, AI PerformanceTotal de citações, média de páginas citadas por dia, grounding queries, citação por URL e tendência no Copilot, nos resumos de IA do Bing e em parceirosClique; outros assistentes; o dado é amostradoBing Webmaster Blog[3]
Google Search Console, Desempenho, tipo “Web”Impressões e cliques que incluem AI Overviews e AI Mode, somados à busca comumSeparar o que veio do recurso de IAGoogle Search Central[2]
Logs do servidorVisitas de OAI-SearchBot, ChatGPT-User, PerplexityBot e Perplexity-UserSe a visita virou citaçãoOpenAI[5], Perplexity[6]
Nenhuma fonte sozinha fecha o quadro. Menção, citação e visita vêm de lugares diferentes.

Dois detalhes que só aparecem lendo a documentação. O canal AI Assistant do GA4 não é retroativo: ele atribui medium = ai-assistant quando o referrer bate com uma lista de assistentes mantida pelo Google, e as sessões anteriores à mudança continuam em Referral.[4] E a lista não cobre tudo: confira no seu relatório em qual canal o perplexity.ai está caindo. Link vindo do ChatGPT tende a chegar com um parâmetro de origem que identifica o chatgpt.com, o que ajuda a separar esse tráfego em origem/mídia mesmo em propriedade que ainda não mostra o canal novo.

Como implementar na prática

A resposta da IA não fica guardada em lugar nenhum até você guardar. Medir visibilidade em IA é menos sobre ferramenta e mais sobre protocolo: a mesma lista, do mesmo jeito, na mesma cadência, com cada rodada salva. Sem histórico não há tendência, e sem tendência cada print vira uma discussão nova.

Onde os números costumam estar

Respostas das IAs Em lugar nenhum, até você guardar. Cada rodada é salva com data, assistente, pergunta, resposta bruta e URLs citadas.
Visitas vindas de IA GA4 (canal AI Assistant, origem/mídia) e, para quem converte, o CRM com a origem do lead.
Citações no Copilot Bing Webmaster Tools, relatório AI Performance.
O que a IA lê sobre você O próprio site e, fora dele, perfil do LinkedIn, Google Perfil da Empresa, diretórios do setor, comparativos, Reclame Aqui, Wikipedia e press releases. É aqui que mora a descrição errada.

Quem precisa entrar

Marketing Dono da lista de perguntas e da rodada; lê SoV, fontes e concorrentes.
Comercial Diz como o cliente pergunta de verdade. A lista nasce da call de discovery, não da cabeça do marketing.
SEO / conteúdo Age sobre as fontes: a página do site que responde a pergunta, o perfil e o diretório desatualizados.
RevOps / dados Guarda a série, cruza com o canal AI Assistant do GA4 e com a origem do lead no CRM.
  1. 1 Monte a lista de categoria: de 30 a 50 perguntas como o comprador faz, sem o nome da marca. Misture topo (“como resolver X”), comparação (“melhor Y para Z”) e decisão (“quanto custa Y para empresa de N pessoas”).
  2. 2 Monte a lista de marca, separada: de 5 a 10 perguntas com o nome. Escreva ao lado a resposta certa, com oferta, preço de referência e termos que não podem aparecer.
  3. 3 Fixe o protocolo: mesmos assistentes, mesmo modo (com ou sem busca, anotado), conta sem histórico personalizado, 3 repetições por pergunta, mesma regra de “mencionou”.
  4. 4 Rode e guarde tudo: resposta bruta, marcas citadas, posição e URLs.
  5. 5 Agregue: SoV por assistente, concorrentes que mais aparecem e os 10 domínios mais citados na categoria.
  6. 6 Cruze com o que traz visita: canal AI Assistant no GA4, páginas de entrada, e o AI Performance do Bing para ver quais URLs o Copilot cita e por quais grounding queries.
  7. 7 Aja pela fonte, não pelo sintoma: se a IA cita um diretório onde você não está, o trabalho é no diretório; se cita a sua página velha, é atualizar a página.
  8. 8 Repita na mesma cadência: semanal ou quinzenal para categoria, mensal para marca e sempre depois de mudar oferta, preço ou nome de produto. Diário é ruído.

Armadilhas comuns

Os erros que mais encontro quando audito como uma empresa B2B mede presença em IA.

Medir com uma pergunta, uma vez, na conta pessoal

O padrão mais comum: alguém faz a pergunta no próprio ChatGPT, com histórico e memória ligados, e tira conclusão. A resposta personalizada não é a que o comprador vê, e a mesma pergunta repetida cinco minutos depois pode trazer outra lista. Sem lista fixa, repetição e conta limpa, o número é opinião com print.

Pôr o nome da marca na pergunta e comemorar 100%

Pergunta “o que é a [marca]?” sempre menciona a marca. Quando ela entra na mesma conta do share of voice, o indicador vai para perto de 100% e para de mexer. Já vi painel de visibilidade em IA verde por meses pelo simples motivo de que todas as perguntas tinham o nome da empresa. Pergunta de marca e pergunta de categoria são duas medidas, com dois denominadores.

A IA descreve a marca com informação velha

É a que mais custa e a que menos se mede. A marca aparece, mas descrita errado: um produto que saiu de linha, um número de clientes de três anos atrás, um nome de serviço abandonado. Quando vou atrás da fonte, quase nunca é o site. É o perfil do LinkedIn com a descrição antiga, o Google Perfil da Empresa que ninguém atualiza, um diretório do setor, uma matéria de lançamento. A IA não inventou: leu o que estava publicado. O conserto é atualizar essas fontes, e só a lista de marca, com a resposta certa escrita ao lado, pega o problema.

Confundir menção, citação e visita

O marketing mostra o SoV subindo; o financeiro abre o GA4 e não vê lead de IA. Os dois números são verdadeiros. A IA pode estar falando da marca e citando o comparativo de outro site como fonte, e o clique vai para o comparativo. Enquanto os três números não ficam lado a lado, a discussão é sobre qual deles vale, quando o que importa é onde o funil vaza.

Achar que o GA4 conta toda a IA

O canal AI Assistant só reconhece os assistentes da lista do Google e só existe daqui para frente.[4] Link copiado da resposta e colado no navegador chega como Direto. App que não passa referrer também. Resposta lida sem clique não aparece em lugar nenhum. O GA4 é o piso do tráfego de IA, não o total. O resto das armadilhas de canal está em Erros comuns no GA4, e como dar crédito à IA num funil de vários toques, em Atribuição.

Medir só a memória e achar que mediu o produto

Ferramenta que consulta o modelo pela API, sem busca, mede o que o modelo lembra. É útil e estável, mas não é o que o usuário vê no chatgpt.com com a busca ligada. Quando a ferramenta não diz qual das duas mede, pergunte. E se a série inteira foi feita num modo, trocar de modo no meio quebra a comparação.

Reagir à variação de uma semana

Resposta com busca oscila. Numa semana a marca cai de 30% para 22% e alguém quer mudar a home. Com 40 perguntas, oito pontos são três perguntas. Olhe a tendência de quatro a seis rodadas antes de mexer, e sempre veja quem entrou no seu lugar.

Uma última checagem, antes de todas as outras: se o robots.txt bloqueia o OAI-SearchBot ou o PerplexityBot, não há o que medir. Está em Robôs de IA. Depois de medir, o que fazer para virar fonte que a IA cita está em GEO, e o caso específico do Google, com o motivo de o Search Console não separar, em AI Overview. O arquivo que muita gente acha que resolve visibilidade, e o que ele de fato faz, está em llms.txt. E a diferença entre aparecer na resposta e pagar para aparecer, em ChatGPT Ads.

Checklist de implementação

FAQ

Perguntas frequentes sobre visibilidade em IA

As dúvidas que mais aparecem de quem precisa saber se a IA recomenda a empresa.

Com uma lista fixa de perguntas da sua categoria, sem o nome da empresa, feitas sempre do mesmo jeito e repetidas. Uma pergunta isolada não mede, porque a resposta varia.

É a porcentagem das perguntas da sua lista em que a IA mencionou a marca. Se ela aparece em 12 de 40, o SoV é 30%.

Mostra quem clicou. O GA4 tem um canal padrão chamado AI Assistant, que agrupa visitas de assistentes como ChatGPT, Gemini e Copilot. Quem leu a resposta e não clicou não aparece.

Mostra junto com o resto. Impressões e cliques de AI Overviews e AI Mode entram no relatório de Desempenho, no tipo Web, sem separação.

Tem. O relatório AI Performance do Bing Webmaster Tools mostra total de citações, páginas citadas, grounding queries e tendência, para o Copilot, os resumos de IA do Bing e parceiros.

Porque leu fonte velha. Quase sempre é perfil de rede social, diretório ou matéria antiga. Descubra qual fonte ela citou e atualize lá.

Semanal ou quinzenal para as perguntas de categoria, mensal para as de marca. Diário vira ruído.

Para começar, não: planilha, lista fixa e disciplina de protocolo resolvem. Ferramenta ajuda quando a lista cresce e você precisa de série histórica e de mais de um assistente.

Da resposta da IA até a visita, no mesmo painel

O trabalho pesado não é fazer a pergunta; é repetir o protocolo toda semana e pôr menção, fonte e visita lado a lado. No Incuca Intelligence, a tela Visibilidade em IA faz as perguntas da sua categoria, sem o nome da marca, ao ChatGPT e ao Gemini, e faz em separado as perguntas sobre a marca. Mostra em quantas você aparece, quem aparece no seu lugar e quais fontes a IA usou, com as visitas que chegaram de IA pelo GA4 ao lado. A tela diz qual modo está medindo: hoje, a leitura é a da memória do modelo, não a da busca na hora.

Conhecer o Intelligence

Referências

  1. [1] OpenAI Help Center. Does ChatGPT have knowledge of current events? (conhecimento até a data de corte do treino e busca na web). 2026. https://help.openai.com/en/articles/8313428-does-chatgpt-have-knowledge-of-current-events
  2. [2] Google Search Central. AI features and your website (query fan-out; AI Overviews e AI Mode no relatório de Desempenho, tipo Web). 2026. https://developers.google.com/search/docs/appearance/ai-features
  3. [3] Microsoft Bing. Introducing AI Performance in Bing Webmaster Tools (Public Preview). 10/02/2026. https://blogs.bing.com/webmaster/February-2026/Introducing-AI-Performance-in-Bing-Webmaster-Tools-Public-Preview
  4. [4] Google Analytics Help. [GA4] Default channel group (canal AI Assistant, medium ai-assistant). 2026. https://support.google.com/analytics/answer/9756891
  5. [5] OpenAI. Overview of OpenAI crawlers. 2026. https://developers.openai.com/api/docs/bots
  6. [6] Perplexity. Perplexity crawlers. 2026. https://docs.perplexity.ai/guides/bots
Lucas Adiers Stefanello

Sobre o autor

Lucas Adiers Stefanello

Fundador e CEO da Incuca, onde junta dados de marketing, vendas e receita para mostrar onde a empresa perde venda. Trabalha com tecnologia para negócios desde 2013 e coordena a Comunidade Incuca.