Site B2B que gera leads: o que precisa ter (e o que quase sempre falta)

O Analytics mostra gente entrando. O formulário recebe dois pedidos por mês, e um deles é alguém querendo vender para você. O time conclui que o site não gera lead e pede mais tráfego. Mais tráfego num site que não converte é pagar para mais gente sair. Este guia mostra as peças que um site B2B precisa ter ligadas, onde o lead costuma se perder e como testar tudo isso em uma tarde, antes de pensar em site novo.

Também chamado:
site que converte, site gerador de leads
O que é:
checklist de arquitetura, não métrica
Revisão:
a cada trimestre
Resposta rápida
Um site B2B gera lead quando quatro coisas funcionam juntas: a oferta é clara nos primeiros segundos (o que você faz, para quem, qual o próximo passo), existe uma porta de entrada do tamanho do momento do visitante (não só “fale conosco”), o pedido cai no CRM com a origem e a velocidade e a prova seguram quem chegou. O que quase sempre falta não é tráfego nem design. É a ligação entre formulário, CRM e medição, sem a qual ninguém sabe qual canal traz negócio.

O que é um site B2B que gera leads

Não é um tipo de site. Institucional, com blog, com área de conteúdo: qualquer um deles pode gerar lead ou não gerar. O que separa um do outro é se seis peças estão ligadas entre si. Quando uma falha, o site continua “gerando lead” para o Analytics, mas não para o comercial.

  1. Mensagem. Quem chega entende em segundos o que você resolve, para quem, e o que fazer a seguir.
  2. Porta de entrada. Existe um próximo passo do tamanho do momento do visitante. Quem está pesquisando não pede orçamento. Quem está decidindo não quer baixar e-book.
  3. Captura. O formulário é curto, funciona no celular e cria o registro no CRM com a origem da visita.
  4. Medição. A conversão chega no GA4 e nas plataformas de mídia, e o que vira venda volta para elas.
  5. Confiança. Prova concreta perto do pedido: quem já usa, como funciona, quanto tempo leva, o que acontece depois do envio.
  6. Velocidade. A página carrega e responde rápido no celular, onde acontece boa parte da primeira visita.

A distinção que mais muda o diagnóstico é entre lead gerado e lead que chegou. O site pode fazer a parte dele, o visitante pode preencher o formulário, e o pedido morrer num e-mail que ninguém abre ou entrar no CRM com o canal em branco. Para quem olha o relatório de vendas, as duas coisas parecem iguais: o site “não traz nada”.

Perto disso fica a diferença entre site e landing page. O site atende quem chega por vários caminhos (busca, indicação, IA, navegação) e sustenta a avaliação do comprador. A landing page atende quem veio de uma campanha só, com a mensagem já dada pelo anúncio. Os dois convivem, e as peças acima valem para ambos.

Como funciona: as peças, uma a uma

Esta é a tabela que usamos para ler um site B2B. A coluna da direita é o que encontramos com mais frequência quando alguém nos pede para entender por que o site não vende.

PeçaO que precisa terO que quase sempre falta
Mensagem da home e das páginas de serviçoTítulo que diz o problema resolvido e para quem; próximo passo visível sem rolarTítulo de slogan (“Inovação que transforma”) que não diz o que a empresa faz
Portas de entradaUma porta principal (demonstração, diagnóstico, proposta) e uma de menor compromisso (ferramenta, material, newsletter)Só “Fale conosco” no rodapé
FormulárioPoucos campos, uma coluna, rótulo fora do campo[1], validação clara, funciona no celularOito campos obrigatórios, captcha visual, erro que apaga tudo
Destino do leadCria contato e negócio no CRM, com UTM, página de origem e canalChega num e-mail genérico e alguém copia para o CRM quando lembra
MediçãoEvento-chave no GA4[2], conversão no Google Ads e demais mídias, retorno do que virou venda[3]Conversão contando visita na página de obrigado
ProvaCaso, logo com contexto, número de processo, depoimento com nome e função, perto do pedidoSeção “clientes” com logos soltos, sem contexto
RespostaPágina de obrigado que diz o que acontece e em quanto tempo; retorno rápido do comercial“Recebemos sua mensagem”, e ninguém liga por três dias
VelocidadeLCP até 2,5 s, INP até 200 ms e CLS até 0,1, no percentil 75 das visitas[4]Vídeo de fundo na home, slider, dezenas de scripts de terceiros
EncontrávelPáginas por problema e por serviço, indexáveis, legíveis por busca e por IATudo numa página só, ou conteúdo dentro de imagem
A régua de leitura de um site B2B. Os limites de velocidade são os das Core Web Vitals; o resto é prática de quem monta e audita site.

Duas peças pesam mais que as outras, porque sem elas nenhuma das demais pode ser avaliada: o destino do lead e a medição. Se o pedido não chega no CRM com a origem, você não consegue dizer se a mensagem nova funcionou, se a segunda porta trouxe gente ou se a campanha paga dá retorno. É por isso que o diagnóstico sempre começa pelo formulário, e não pelo layout.

A velocidade entra na conta por um motivo simples: boa parte de quem chega pela primeira vez vem do celular, muitas vezes de um anúncio que você pagou. Página que demora a mostrar o título perde esse visitante antes de ele ler qualquer coisa. O detalhe de cada métrica está em Core Web Vitals. E ser encontrável hoje inclui as respostas de IA: conteúdo em HTML real, por assunto, é o que o Google e os assistentes conseguem ler e citar (ver GEO).

Por que o lead “some”

Quando o comercial diz que o site não gera lead, na nossa experiência é quase sempre uma destas quatro coisas, nesta ordem de frequência:

  1. O lead existe, mas não chega. O formulário manda para um e-mail que ninguém olha, ou a integração com o CRM quebrou depois de uma atualização. O site gerou; o processo perdeu.
  2. O lead chega sem origem. Está no CRM, mas com o canal em branco. Todo mundo acha que o site não traz nada, porque o que ele trouxe está registrado como “outros”.
  3. O visitante não encontra a porta. A única ação é “fale conosco”, que para quem está no começo da pesquisa é compromisso demais. Ele sai para voltar depois e não volta.
  4. O visitante não entende a oferta. Chega de um anúncio sobre um problema específico e cai numa home genérica. Não reconhece a própria dor na página.

Os dois primeiros são problemas de instrumentação, não de marketing. Resolver custa horas, não um site novo. Os dois últimos são de mensagem e de oferta, e se resolvem reescrevendo o topo das páginas que já recebem tráfego.

Como implementar na prática

Fazer o site gerar lead é menos sobre redesenho e mais sobre ligar três lugares que costumam viver separados: o site (onde o visitante age), o CRM (onde o pedido vira negócio) e as plataformas de mídia e analytics (onde se decide onde investir). Quase todo site que “não gera lead” tem um desses elos solto.

Onde os dados moram

GA4 e Search Console De onde vêm as visitas, quais páginas recebem tráfego, quais convertem e por quais buscas o site aparece.
CRM HubSpot, RD Station, Pipedrive, Salesforce: quantos leads vieram do site, com qual origem, quantos viraram oportunidade e venda.
Plataformas de mídia Google Ads, Meta, LinkedIn: quais conversões estão sendo contadas e se o que vira venda volta para elas.

Quem precisa entrar

Marketing Dono da mensagem, das portas de entrada e do conteúdo.
Comercial Define o que um lead precisa trazer para ser útil e o prazo de resposta.
Quem cuida do site Interno ou fornecedor: formulário, velocidade, integração e eventos.
CRM / RevOps Campos de origem, regras de entrada e retorno do resultado para a mídia.
  1. 1 Faça um lead de teste de ponta a ponta. Preencha o formulário pelo celular, com uma UTM na URL, e siga o caminho: chegou no CRM? Com a origem? A conversão apareceu no GA4 e no Google Ads? Esse teste de dez minutos resolve metade do diagnóstico.
  2. 2 Conte o que está em branco. Quantos negócios no CRM, nos últimos 90 dias, estão sem canal? Se for uma fatia grande, conserte a captura antes de mexer em qualquer página.
  3. 3 Reescreva o topo das páginas que recebem tráfego. Título com problema e público, próximo passo visível sem rolar.
  4. 4 Crie a segunda porta. Um próximo passo de menor compromisso para quem ainda não quer falar com vendas.
  5. 5 Corte o formulário. Deixe só o que o comercial usa de verdade na primeira conversa.
  6. 6 Leve a prova para perto do pedido. Um caso ou depoimento com nome e função ao lado do formulário vale mais que uma página de cases que ninguém abre.
  7. 7 Feche o ciclo com a mídia. Devolva para o Google Ads o que virou oportunidade ou venda, para a campanha otimizar para negócio e não para formulário. Ver conversões do Google Ads.
  8. 8 Meça por trimestre, não por semana. Em B2B com poucos leads por mês, a variação de uma semana é ruído.

Armadilhas comuns

Estes são os erros que mais aparecem quando abrimos um site B2B para entender por que ele não vende. Quase nenhum é de design.

Pedir mais tráfego antes de testar o formulário

A primeira coisa que fazemos numa auditoria é preencher o formulário. Não é raro ele não chegar em lugar nenhum, ou chegar sem origem. Nesses casos, toda a verba de mídia do período estava indo para um funil sem fundo, e a conclusão de que “o canal não funciona” foi tirada em cima de um dado que não existia.

Contar a página de obrigado como conversão

A visita à página de obrigado conta visita, não envio. Recarregou, voltou pelo histórico, abriu de um link salvo: conta de novo. O Google Ads otimiza para esse número inflado, e a campanha “que mais converte” pode ser a que mais recarrega página. Conversão é o envio do formulário, disparado como evento.

Uma porta só, e grande demais

“Solicite uma proposta” é o próximo passo certo para quem está decidindo, que é a minoria de quem visita. O resto sai. Sem uma porta menor, o site só captura quem já ia comprar de qualquer jeito, e você perde o contato com quem vai decidir daqui a três meses.

Formulário desenhado pelo que o comercial gostaria de saber

Função, faturamento, número de funcionários, orçamento, prazo, como nos conheceu. Cada campo a mais é um motivo a mais para desistir, e boa parte disso se descobre na primeira conversa ou no enriquecimento do CRM. O formulário serve para abrir a conversa, não para substituí-la.

Spam contado como lead

Formulário sem proteção recebe bot e vendedor. O número de leads sobe, o comercial para de confiar no canal, e o lead bom que chega junto demora para ser atendido. Filtro de spam é parte da captura, não detalhe de TI.

Medir o site pelo número de leads

Uma página que gera metade dos leads pode gerar a maior parte das oportunidades, ou nenhuma. Sem ligar lead a negócio no CRM, você otimiza a página errada. É aqui que entram CRO e teste A/B, sempre medidos pelo que vira oportunidade.

Checklist de implementação

FAQ

Perguntas frequentes sobre site B2B que gera leads

As dúvidas que mais aparecem de quem tem site no ar e pouco lead no CRM.

Quase sempre por um destes motivos: o lead não chega (formulário ou integração quebrados), chega sem origem, o visitante não encontra um próximo passo do tamanho do momento dele, ou não reconhece a própria dor na página. Teste o formulário antes de mudar qualquer outra coisa.

O mínimo que o comercial usa de verdade na primeira conversa. Nome, e-mail corporativo, empresa e às vezes telefone costumam bastar. O resto dá para perguntar na conversa ou enriquecer depois.

Varia demais por canal, ticket e tipo de porta de entrada para existir um número único confiável. Compare o site com ele mesmo ao longo do tempo, por página e por canal, e olhe a conversão de lead em oportunidade, não só de visita em lead.

Nem sempre. Formulário integrado ao CRM, origem gravada, topo das páginas reescrito e uma segunda porta de entrada resolvem muito sem projeto novo. Site novo faz sentido quando a estrutura atual impede essas mudanças. Se for o caso, veja como migrar sem perder SEO.

Para campanha paga com oferta específica, landing page. Para ser encontrado na busca e sustentar a avaliação do comprador, site. Os dois convivem. Ver Landing page B2B.

Gravando a origem (UTM, canal, página) no CRM no momento do envio e ligando ao negócio. Depois, devolvendo o resultado para a mídia. Sem essa ligação, o relatório para no formulário.

Conta, se for medido. O clique no botão vira evento; a conversa precisa virar registro no CRM com a origem. Sem isso, o WhatsApp vira o maior canal desconhecido do funil.

Depende do que já existe. Às vezes são horas de integração e reescrita; às vezes a estrutura pede um site novo. As linhas de orçamento que viram estas peças estão em Quanto custa fazer um site.

Antes de pagar mais tráfego, descubra onde o site perde o visitante

Na maior parte dos sites que abrimos, o lead não falta: ele se perde entre o clique e o CRM. O Diagnóstico grátis lê o seu site e aponta o que falta entre a chegada e o pedido: mensagem, porta de entrada, velocidade e sinais de medição. Se a conclusão for refazer, o caminho é o desenvolvimento de sites.

Diagnóstico grátis do site

Referências

  1. [1] Nielsen Norman Group (Kathryn Whitenton). Website Forms Usability: Top 10 Recommendations. 2016. https://www.nngroup.com/articles/web-form-design/
  2. [2] Google Analytics Help. About key events (eventos-chave no GA4). https://support.google.com/analytics/answer/9267568
  3. [3] Google Ads Help. About enhanced conversions for leads (conversões otimizadas para leads). https://support.google.com/google-ads/answer/15713840
  4. [4] web.dev (Google). Web Vitals (LCP ≤ 2,5 s · INP ≤ 200 ms · CLS ≤ 0,1, no percentil 75). https://web.dev/articles/vitals
Lucas Adiers Stefanello

Sobre o autor

Lucas Adiers Stefanello

Fundador e CEO da Incuca, onde junta dados de marketing, vendas e receita para mostrar onde a empresa perde venda. Trabalha com tecnologia para negócios desde 2013 e coordena a Comunidade Incuca.