Migração de site sem perder SEO: o passo a passo

O site novo foi lançado. Mais rápido, mais bonito, com a marca atualizada. Três semanas depois alguém abre o Search Console e as impressões estão caindo. Um mês depois, o formulário que recebia lead do orgânico ficou quieto. O site não piorou: o Google conhecia as páginas antigas, cada uma com anos de histórico e links apontando, e ninguém disse a ele para onde cada uma foi. Este guia mostra como montar o mapa de redirecionamentos, o que fazer antes, no dia e depois do lançamento, e como investigar quando o tráfego cai.

Também chamada:
migração de SEO, mudança de domínio, site move
O que é:
processo de projeto, não métrica
Cadência:
projeto pontual + monitoramento de 3 a 12 meses
Resposta rápida
Migrar sem perder SEO é garantir que cada URL antiga que tem valor aponte, com redirecionamento 301, para a página nova que trata do mesmo assunto, e acompanhar a troca no Search Console até o Google reindexar. O erro que mais derruba tráfego é redirecionar em massa para a home: o Google avisa que isso pode ser tratado como soft 404, e a página deixa de existir para a busca. Os redirecionamentos ficam no ar por pelo menos um ano.

O que é migração de site

É qualquer mudança que troca a URL de páginas que o Google já conhece. O nome assusta mais do que o conceito: se o endereço de uma página muda, ela migrou, e alguém precisa dizer ao Google para onde. Os quatro casos mais comuns:

  1. Redesenho com nova estrutura de URL. O caso mais comum e o mais subestimado, porque ninguém chama redesenho de migração.
  2. Troca de domínio. Rebranding, .com.br para .com, fusão de sites.
  3. Troca de protocolo ou subdomínio. http para https, www para sem www.
  4. Troca de plataforma. Sair do Wix para WordPress, de WordPress para headless, quando as URLs mudam no processo.

Trocar só de hospedagem, sem mudar URL, é outra coisa, mais simples, e o Google tem um guia próprio para ela[1]. O risco ali é o site ficar fora do ar ou lento na virada, não perder posição.

O custo de errar não aparece no dia do lançamento. Aparece semanas depois, e é o tráfego orgânico acumulado em anos, que não volta rápido. Por isso a migração é uma linha de orçamento do projeto do site, não um detalhe de lançamento (ver Quanto custa fazer um site).

Como funciona: o mapa de redirecionamentos

O coração da migração é uma planilha com uma linha por URL antiga. Cada linha responde três perguntas: a página tem valor (tráfego, links, conversão)? Qual página nova responde a mesma pergunta? Qual status a URL antiga vai devolver?

URL antigaTem valor?DestinoTipo
/servicos/consultoria-financeirasim/consultoria-financeira/301
/blog/2019/como-calcular-margemsim/blog/como-calcular-margem/301
/blog/2018/evento-de-fim-de-anonão—404 ou 410
/produto-descontinuadolinks externos, sem equivalente diretocategoria mais próxima, se ela responde a mesma intenção301
/produto-descontinuado-2sem valor, sem equivalente—404 ou 410
Exemplo de mapa. O destino é escolhido pelo assunto da página, nunca pela conveniência.

As regras que decidem cada linha:

  1. Por assunto, não por conveniência. O destino é a página nova que responde a mesma pergunta. Se ela não existe, a pergunta é se vale criar. Se não vale, um 404 honesto é melhor do que um 301 para qualquer lugar.
  2. Nunca tudo para a home. O Google orienta a não redirecionar muitas URLs antigas para um único destino irrelevante, como a home do site novo, porque isso confunde o usuário e pode ser tratado como soft 404[2]. Na prática, a página antiga sai do índice e o valor que ela tinha não passa adiante.
  3. 301 (ou 308) para o que é permanente. Redirecionamento permanente sinaliza ao Google que o destino deve ser o canônico; 302 e 307 dizem para manter a URL antiga no resultado. Redirecionamento no servidor é o mais confiável; JavaScript é último recurso[3].
  4. Direto, sem cadeia. A URL antiga aponta direto para a final. O robô do Google segue até dez saltos[4], mas cada salto é lentidão para o usuário e risco de o sinal se perder. Cadeias nascem quando a migração de agora se soma à de três anos atrás.
  5. 404 e 410 para o que morreu. O Google trata os dois da mesma forma: a URL sai do índice e passa a ser rastreada com menos frequência[4]. Não é punição, é a resposta correta para página sem substituta. Se a página mudou de lugar ou tem substituta clara, o pedido do Google é 301[5].

De onde tirar a lista de URLs antigas: Search Console (desempenho e indexação dos últimos 16 meses), GA4 (páginas de destino), o sitemap atual, um rastreamento completo do site antigo e a lista de páginas com links externos, tirada de uma ferramenta de backlinks. Junte as fontes. O sitemap sozinho quase nunca tem tudo.

Quanto tempo leva e o que é normal

O Google avisa que a posição oscila durante a migração e que, para sites de porte médio, pode levar algumas semanas ou mais até as URLs novas aparecerem no lugar das antigas[2]. Oscilação nesse período é esperada. O sinal de alerta é outro: queda que continua depois que as URLs antigas já saíram do índice e as novas já entraram. Aí não é mais transição, é algo quebrado, e vale seguir a investigação abaixo.

O que fazer quando o tráfego cai

  1. Separe onde caiu. Compare, no Search Console, as páginas que mais tinham impressões antes da migração com elas mesmas (ou seus destinos) depois. Queda generalizada e queda concentrada num grupo de páginas têm causas diferentes.
  2. Rode a lista de URLs antigas de novo. Cada uma devolve 301 para o destino certo, em um salto? É comum descobrir que parte dos redirecionamentos se perdeu numa atualização de plugin ou numa mudança de servidor.
  3. Procure redirecionamento para a home ou para página genérica. Se um grupo de posts ou produtos foi mandado para a home, corrija para o destino por assunto. Se o destino não existe, avalie recriar o conteúdo.
  4. Confira a indexação. Página nova com noindex esquecido, bloqueada no robots.txt, ou com canônico apontando para a URL antiga ou para outra página.
  5. Compare o conteúdo. Se a página nova trata o assunto com menos profundidade que a antiga, o 301 está certo e a queda é de conteúdo.
  6. Olhe os links internos. Página importante que perdeu os links do menu ou dos posts perde força, mesmo com o 301 certo.
  7. Verifique velocidade e renderização. Conteúdo que agora só aparece depois de JavaScript, ou página nova muito mais lenta que a antiga. Ver Core Web Vitals.
  8. Corrija e acompanhe. A recuperação depende de o Google rastrear de novo. Use a inspeção de URL do Search Console nas páginas mais importantes e acompanhe o relatório de indexação.

Como implementar na prática

Migração se ganha antes do lançamento, na planilha. O dia da virada é só a execução do que foi decidido e testado na homologação, e o depois é monitoramento com lista na mão: as URLs que tinham valor, uma a uma.

Onde os dados moram

Search Console Propriedade antiga e nova: páginas com impressões, relatório de indexação, erros 404, inspeção de URL.
GA4 Páginas de destino que recebem tráfego e geram conversão.
Site antigo Sitemap atual e um rastreamento completo, para achar o que o sitemap não lista.
Servidor ou CMS Onde os redirecionamentos vão morar, e onde podem se perder numa atualização.

Quem precisa entrar

Quem faz o site Estrutura de URL, implementação dos 301 e ambiente de teste.
SEO / marketing Inventário de URLs com valor, mapa por assunto e monitoramento.
Infraestrutura Domínio, DNS, certificado e capacidade do servidor na virada.
Comercial Avisado de que o lead do orgânico pode oscilar nas primeiras semanas.
  1. 1 Antes: inventário. Liste todas as URLs antigas com tráfego, impressões, links externos ou conversões.
  2. 2 Antes: mapa por assunto. Uma linha por URL, destino escolhido pela intenção da página, com revisão humana de cada linha que tem valor.
  3. 3 Antes: homologação fechada. Ambiente de teste com noindex ou senha, para não ser indexado antes da hora.
  4. 4 Antes: teste dos redirecionamentos. Rode a lista inteira de URLs antigas na homologação e confira status e destino de cada uma.
  5. 5 Antes: links internos. Menu, rodapé, posts antigos e canônicos apontando para as URLs novas, não para as antigas que redirecionam.
  6. 6 No dia: retire os bloqueios da homologação. O noindex ou o Disallow do ambiente de teste não pode ir para o ar.
  7. 7 No dia: ative os 301 e envie o sitemap novo no Search Console. Mantenha também um sitemap com as URLs antigas durante a transição: no começo ele tem muitas páginas indexadas e o novo, nenhuma; com o tempo a relação se inverte, e aí o antigo pode sair.
  8. 8 No dia: se trocou de domínio, use a ferramenta de mudança de endereço do Search Console. Ela serve só para troca de domínio ou subdomínio, exige ser proprietário das duas propriedades e um 301 da home antiga para a nova, e vale por 180 dias. Não serve para http → https nem para www → sem www.
  9. 9 No dia: servidor com folga. Depois da migração o Google rastreia o site novo com mais intensidade que o normal por um tempo.
  10. 10 Depois: monitore toda semana no Search Console: páginas novas entrando no índice, antigas saindo, 404 inesperados e desempenho por página.
  11. 11 Depois: compare página a página as que mais traziam impressões antes da migração com seus destinos.
  12. 12 Depois: mantenha os 301 por pelo menos um ano, e de preferência pelo máximo de tempo possível. Links externos antigos continuam existindo.

Os prazos e regras do dia da virada vêm da documentação do Google: sitemap novo e sitemap antigo durante a transição, rastreamento mais intenso e 301 por pelo menos um ano[2], e a ferramenta de mudança de endereço com as condições acima[6]. Um detalhe vem da nossa prática, não da documentação: manter as URLs antigas num sitemap temporário também ajuda o Google a revisitá-las e encontrar os redirecionamentos mais rápido.

Armadilhas comuns

Estes são os erros que mais vemos em migração. Quase todos parecem inofensivos no dia do lançamento.

Redirecionar tudo para a home

O caso mais caro que já acompanhamos: um site perdeu a maior parte das impressões em poucos meses porque os posts removidos no redesenho foram redirecionados para a home. Parecia solução (“nenhum 404”), mas para o Google era um monte de página sumindo de uma vez. É exatamente o tipo de redirecionamento que o Google documenta como possível soft 404[2].

Mapear só o que está no sitemap

O sitemap do site antigo raramente tem tudo: páginas antigas de campanha, PDFs, URLs com parâmetro que receberam link. Quando o inventário sai só do sitemap, a lista de 404 depois do lançamento é a surpresa.

O ambiente de teste que foi para o ar

O noindex ou o Disallow: / da homologação publicado junto com o site novo. O site some da busca em dias, e a primeira reação é culpar a migração, quando é uma linha no código.

Redirecionar e esquecer os links internos

Os 301 estão certos, mas o menu, os posts e os canônicos ainda apontam para as URLs antigas. Cada clique interno passa por um redirecionamento, o rastreamento desperdiça esforço e o sinal fica confuso.

Cortar conteúdo no redesenho

O layout novo tem blocos curtos, e o texto que respondia a busca foi resumido para caber. O 301 leva para a página certa, mas a página certa agora responde menos. A posição cai, e ninguém associa a queda à decisão de design.

Apagar os redirecionamentos depois de alguns meses

Alguém limpa o arquivo de regras ou troca de servidor, e os 301 vão embora. Os links externos antigos, que continuam existindo por anos, passam a dar 404. O Google recomenda pelo menos um ano[2]. Na prática, mantenha enquanto houver link apontando.

Migrar tudo de uma vez

Domínio, estrutura, plataforma e conteúdo no mesmo lançamento. Quando cai, não dá para saber qual mudança causou. Se for possível, separe as etapas. Se não for, registre cada mudança com data para conseguir ler o Search Console depois.

Checklist de implementação

FAQ

Perguntas frequentes sobre migração de site

As dúvidas de quem vai refazer o site ou acabou de ver o tráfego cair.

Pode fazer, se as URLs mudarem sem redirecionamento para a página equivalente. Com mapa de 301 por assunto e monitoramento no Search Console, a oscilação tende a ser temporária.

Não em massa. O Google diz que redirecionar muitas URLs para um destino irrelevante, como a home, pode ser tratado como soft 404. Redirecione para a página que trata do mesmo assunto; se não houver, deixe 404 ou 410.

301 (ou 308) para mudança permanente, que é o caso da migração. 302 e 307 dizem ao Google para manter a URL antiga no resultado.

Pelo menos um ano, e de preferência pelo máximo de tempo possível. Enquanto houver link externo apontando para a URL antiga, o 301 continua trabalhando.

Só quando troca de domínio ou subdomínio. Ela exige ser proprietário das duas propriedades e ter 301 da home antiga para a nova. O efeito dura 180 dias.

O Google fala em oscilação temporária e em algumas semanas ou mais para sites de porte médio começarem a aparecer com as URLs novas. Se a queda continua depois que o índice já trocou as URLs, investigue: quase sempre é redirecionamento errado, indexação bloqueada ou conteúdo cortado.

Não para página que realmente deixou de existir e não tem substituta. O Google trata 404 e 410 da mesma forma: tira a URL do índice. Ruim é 404 em página que tinha valor e tem equivalente. Ver URLs sem resposta HTTP.

Se as URLs não mudam, é uma mudança mais simples: preparar o novo servidor, baixar o TTL do DNS, trocar e monitorar. O risco principal é o site ficar fora do ar ou lento na virada. Ver modo manutenção no WordPress.

Migração se ganha antes do lançamento

Quando refazemos um site, o inventário de URLs, o mapa de 301 por assunto e o monitoramento no Search Console fazem parte do projeto, não do pós-venda. O mesmo vale para as URLs que o Google e as IAs já citavam (ver robôs de IA). Se você já migrou e quer saber o que ficou quebrado, comece pelo Diagnóstico grátis do site.

Conhecer o desenvolvimento de sites

Referências

  1. [1] Google Search Central. Changing your web hosting and SEO (site move without URL changes). https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/site-move-no-url-changes
  2. [2] Google Search Central. How to move a site (site move with URL changes). Atualizado em 20/08/2026. https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/site-move-with-url-changes
  3. [3] Google Search Central. Redirects and Google Search. https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/301-redirects
  4. [4] Google Search Central. How HTTP status codes, and network and DNS errors affect Google Search. https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/http-network-errors
  5. [5] Google Search Central. Troubleshoot crawling errors (soft 404). https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/troubleshoot-crawling-errors
  6. [6] Google Search Console Help. Change of Address tool (ferramenta de mudança de endereço). https://support.google.com/webmasters/answer/9370220
Lucas Adiers Stefanello

Sobre o autor

Lucas Adiers Stefanello

Fundador e CEO da Incuca, onde junta dados de marketing, vendas e receita para mostrar onde a empresa perde venda. Trabalha com tecnologia para negócios desde 2013 e coordena a Comunidade Incuca.