Migração de site sem perder SEO: o passo a passo
O site novo foi lançado. Mais rápido, mais bonito, com a marca atualizada. Três semanas depois alguém abre o Search Console e as impressões estão caindo. Um mês depois, o formulário que recebia lead do orgânico ficou quieto. O site não piorou: o Google conhecia as páginas antigas, cada uma com anos de histórico e links apontando, e ninguém disse a ele para onde cada uma foi. Este guia mostra como montar o mapa de redirecionamentos, o que fazer antes, no dia e depois do lançamento, e como investigar quando o tráfego cai.
O que é migração de site
É qualquer mudança que troca a URL de páginas que o Google já conhece. O nome assusta mais do que o conceito: se o endereço de uma página muda, ela migrou, e alguém precisa dizer ao Google para onde. Os quatro casos mais comuns:
- Redesenho com nova estrutura de URL. O caso mais comum e o mais subestimado, porque ninguém chama redesenho de migração.
- Troca de domínio. Rebranding,
.com.brpara.com, fusão de sites. - Troca de protocolo ou subdomínio.
httpparahttps,wwwpara semwww. - Troca de plataforma. Sair do Wix para WordPress, de WordPress para headless, quando as URLs mudam no processo.
Trocar só de hospedagem, sem mudar URL, é outra coisa, mais simples, e o Google tem um guia próprio para ela[1]. O risco ali é o site ficar fora do ar ou lento na virada, não perder posição.
O custo de errar não aparece no dia do lançamento. Aparece semanas depois, e é o tráfego orgânico acumulado em anos, que não volta rápido. Por isso a migração é uma linha de orçamento do projeto do site, não um detalhe de lançamento (ver Quanto custa fazer um site).
Como funciona: o mapa de redirecionamentos
O coração da migração é uma planilha com uma linha por URL antiga. Cada linha responde três perguntas: a página tem valor (tráfego, links, conversão)? Qual página nova responde a mesma pergunta? Qual status a URL antiga vai devolver?
| URL antiga | Tem valor? | Destino | Tipo |
|---|---|---|---|
/servicos/consultoria-financeira | sim | /consultoria-financeira/ | 301 |
/blog/2019/como-calcular-margem | sim | /blog/como-calcular-margem/ | 301 |
/blog/2018/evento-de-fim-de-ano | não | — | 404 ou 410 |
/produto-descontinuado | links externos, sem equivalente direto | categoria mais próxima, se ela responde a mesma intenção | 301 |
/produto-descontinuado-2 | sem valor, sem equivalente | — | 404 ou 410 |
As regras que decidem cada linha:
- Por assunto, não por conveniência. O destino é a página nova que responde a mesma pergunta. Se ela não existe, a pergunta é se vale criar. Se não vale, um 404 honesto é melhor do que um 301 para qualquer lugar.
- Nunca tudo para a home. O Google orienta a não redirecionar muitas URLs antigas para um único destino irrelevante, como a home do site novo, porque isso confunde o usuário e pode ser tratado como soft 404[2]. Na prática, a página antiga sai do índice e o valor que ela tinha não passa adiante.
- 301 (ou 308) para o que é permanente. Redirecionamento permanente sinaliza ao Google que o destino deve ser o canônico; 302 e 307 dizem para manter a URL antiga no resultado. Redirecionamento no servidor é o mais confiável; JavaScript é último recurso[3].
- Direto, sem cadeia. A URL antiga aponta direto para a final. O robô do Google segue até dez saltos[4], mas cada salto é lentidão para o usuário e risco de o sinal se perder. Cadeias nascem quando a migração de agora se soma à de três anos atrás.
- 404 e 410 para o que morreu. O Google trata os dois da mesma forma: a URL sai do índice e passa a ser rastreada com menos frequência[4]. Não é punição, é a resposta correta para página sem substituta. Se a página mudou de lugar ou tem substituta clara, o pedido do Google é 301[5].
De onde tirar a lista de URLs antigas: Search Console (desempenho e indexação dos últimos 16 meses), GA4 (páginas de destino), o sitemap atual, um rastreamento completo do site antigo e a lista de páginas com links externos, tirada de uma ferramenta de backlinks. Junte as fontes. O sitemap sozinho quase nunca tem tudo.
Quanto tempo leva e o que é normal
O Google avisa que a posição oscila durante a migração e que, para sites de porte médio, pode levar algumas semanas ou mais até as URLs novas aparecerem no lugar das antigas[2]. Oscilação nesse período é esperada. O sinal de alerta é outro: queda que continua depois que as URLs antigas já saíram do índice e as novas já entraram. Aí não é mais transição, é algo quebrado, e vale seguir a investigação abaixo.
O que fazer quando o tráfego cai
- Separe onde caiu. Compare, no Search Console, as páginas que mais tinham impressões antes da migração com elas mesmas (ou seus destinos) depois. Queda generalizada e queda concentrada num grupo de páginas têm causas diferentes.
- Rode a lista de URLs antigas de novo. Cada uma devolve 301 para o destino certo, em um salto? É comum descobrir que parte dos redirecionamentos se perdeu numa atualização de plugin ou numa mudança de servidor.
- Procure redirecionamento para a home ou para página genérica. Se um grupo de posts ou produtos foi mandado para a home, corrija para o destino por assunto. Se o destino não existe, avalie recriar o conteúdo.
- Confira a indexação. Página nova com
noindexesquecido, bloqueada norobots.txt, ou com canônico apontando para a URL antiga ou para outra página. - Compare o conteúdo. Se a página nova trata o assunto com menos profundidade que a antiga, o 301 está certo e a queda é de conteúdo.
- Olhe os links internos. Página importante que perdeu os links do menu ou dos posts perde força, mesmo com o 301 certo.
- Verifique velocidade e renderização. Conteúdo que agora só aparece depois de JavaScript, ou página nova muito mais lenta que a antiga. Ver Core Web Vitals.
- Corrija e acompanhe. A recuperação depende de o Google rastrear de novo. Use a inspeção de URL do Search Console nas páginas mais importantes e acompanhe o relatório de indexação.
Como implementar na prática
Onde os dados moram
Quem precisa entrar
- 1 Antes: inventário. Liste todas as URLs antigas com tráfego, impressões, links externos ou conversões.
- 2 Antes: mapa por assunto. Uma linha por URL, destino escolhido pela intenção da página, com revisão humana de cada linha que tem valor.
-
3
Antes: homologação fechada. Ambiente de teste com
noindexou senha, para não ser indexado antes da hora. - 4 Antes: teste dos redirecionamentos. Rode a lista inteira de URLs antigas na homologação e confira status e destino de cada uma.
- 5 Antes: links internos. Menu, rodapé, posts antigos e canônicos apontando para as URLs novas, não para as antigas que redirecionam.
-
6
No dia: retire os bloqueios da homologação. O
noindexou oDisallowdo ambiente de teste não pode ir para o ar. - 7 No dia: ative os 301 e envie o sitemap novo no Search Console. Mantenha também um sitemap com as URLs antigas durante a transição: no começo ele tem muitas páginas indexadas e o novo, nenhuma; com o tempo a relação se inverte, e aí o antigo pode sair.
-
8
No dia: se trocou de domínio, use a ferramenta de mudança de endereço do Search Console. Ela serve só para troca de domínio ou subdomínio, exige ser proprietário das duas propriedades e um 301 da home antiga para a nova, e vale por 180 dias. Não serve para
http→httpsnem parawww→ semwww. - 9 No dia: servidor com folga. Depois da migração o Google rastreia o site novo com mais intensidade que o normal por um tempo.
- 10 Depois: monitore toda semana no Search Console: páginas novas entrando no índice, antigas saindo, 404 inesperados e desempenho por página.
- 11 Depois: compare página a página as que mais traziam impressões antes da migração com seus destinos.
- 12 Depois: mantenha os 301 por pelo menos um ano, e de preferência pelo máximo de tempo possível. Links externos antigos continuam existindo.
Os prazos e regras do dia da virada vêm da documentação do Google: sitemap novo e sitemap antigo durante a transição, rastreamento mais intenso e 301 por pelo menos um ano[2], e a ferramenta de mudança de endereço com as condições acima[6]. Um detalhe vem da nossa prática, não da documentação: manter as URLs antigas num sitemap temporário também ajuda o Google a revisitá-las e encontrar os redirecionamentos mais rápido.
Armadilhas comuns
Estes são os erros que mais vemos em migração. Quase todos parecem inofensivos no dia do lançamento.
Redirecionar tudo para a home
O caso mais caro que já acompanhamos: um site perdeu a maior parte das impressões em poucos meses porque os posts removidos no redesenho foram redirecionados para a home. Parecia solução (“nenhum 404”), mas para o Google era um monte de página sumindo de uma vez. É exatamente o tipo de redirecionamento que o Google documenta como possível soft 404[2].
Mapear só o que está no sitemap
O sitemap do site antigo raramente tem tudo: páginas antigas de campanha, PDFs, URLs com parâmetro que receberam link. Quando o inventário sai só do sitemap, a lista de 404 depois do lançamento é a surpresa.
O ambiente de teste que foi para o ar
O noindex ou o Disallow: / da homologação publicado junto com o site novo. O site some da busca em dias, e a primeira reação é culpar a migração, quando é uma linha no código.
Redirecionar e esquecer os links internos
Os 301 estão certos, mas o menu, os posts e os canônicos ainda apontam para as URLs antigas. Cada clique interno passa por um redirecionamento, o rastreamento desperdiça esforço e o sinal fica confuso.
Cortar conteúdo no redesenho
O layout novo tem blocos curtos, e o texto que respondia a busca foi resumido para caber. O 301 leva para a página certa, mas a página certa agora responde menos. A posição cai, e ninguém associa a queda à decisão de design.
Apagar os redirecionamentos depois de alguns meses
Alguém limpa o arquivo de regras ou troca de servidor, e os 301 vão embora. Os links externos antigos, que continuam existindo por anos, passam a dar 404. O Google recomenda pelo menos um ano[2]. Na prática, mantenha enquanto houver link apontando.
Migrar tudo de uma vez
Domínio, estrutura, plataforma e conteúdo no mesmo lançamento. Quando cai, não dá para saber qual mudança causou. Se for possível, separe as etapas. Se não for, registre cada mudança com data para conseguir ler o Search Console depois.
Checklist de implementação
FAQ
Perguntas frequentes sobre migração de site
As dúvidas de quem vai refazer o site ou acabou de ver o tráfego cair.
Migração se ganha antes do lançamento
Quando refazemos um site, o inventário de URLs, o mapa de 301 por assunto e o monitoramento no Search Console fazem parte do projeto, não do pós-venda. O mesmo vale para as URLs que o Google e as IAs já citavam (ver robôs de IA). Se você já migrou e quer saber o que ficou quebrado, comece pelo Diagnóstico grátis do site.
Referências
- [1] Google Search Central. Changing your web hosting and SEO (site move without URL changes). https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/site-move-no-url-changes
- [2] Google Search Central. How to move a site (site move with URL changes). Atualizado em 20/08/2026. https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/site-move-with-url-changes
- [3] Google Search Central. Redirects and Google Search. https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/301-redirects
- [4] Google Search Central. How HTTP status codes, and network and DNS errors affect Google Search. https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/http-network-errors
- [5] Google Search Central. Troubleshoot crawling errors (soft 404). https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/troubleshoot-crawling-errors
- [6] Google Search Console Help. Change of Address tool (ferramenta de mudança de endereço). https://support.google.com/webmasters/answer/9370220