Redesign de site sem perder tráfego, lead nem rastreio

A marca nova foi aprovada, o site novo ficou pronto e a diretoria quer ver no ar. Duas semanas depois do lançamento, o comercial comenta que chegou menos lead. O marketing abre o GA4, as conversões caíram pela metade, e ninguém sabe se caiu o interesse ou a medição. Este guia mostra quando vale redesenhar, o que costuma quebrar no caminho do lead e na medição, o plano de antes, durante e depois, e como provar para a diretoria que o site novo não piorou.

Também chamado:
redesenho de site, rebranding de site, unificação de sites
O que é:
projeto pontual de site
Cadência:
projeto + comparação de antes e depois nas semanas seguintes
Resposta rápida
Redesign sem perda é trocar a cara do site mantendo três coisas que já funcionam: as URLs com valor, redirecionadas por assunto; o caminho do lead até o CRM, com a origem junto; e cada evento que alimenta GA4, Google Ads e Meta. A prova para a diretoria é comparar o mesmo período antes e depois pelo lead qualificado vindo do site.

O que um redesign mexe além do visual

Redesign é qualquer projeto que troca o layout, o template ou a estrutura do site. Entram aqui a atualização periódica de marca, a troca de nome ou de domínio e a unificação de dois ou mais sites num só. A conversa começa pelo visual, e o risco mora em quatro camadas que ninguém vê na aprovação do layout:

  1. Endereços. Se a URL de uma página muda, o Google precisa saber para onde ela foi. O passo a passo dos redirecionamentos está em Migração de site sem perder SEO, e este guia não repete.
  2. Formulários. O novo precisa entregar o lead no mesmo lugar do antigo, com os mesmos campos e com a origem da visita.
  3. Tags. GA4, Google Tag Manager (GTM, o contêiner que carrega as tags), pixel da Meta e tag de conversão do Google Ads.
  4. Integrações. CRM, automação de marketing, WhatsApp, chat, ERP.

Em empresa com time de marketing e de vendas, a quebra atinge três cadeiras ao mesmo tempo: o marketing perde o número que usa todo dia, a diretoria perde a prova de que o investimento valeu e a TI precisa explicar por que o relatório mudou. Por isso a medição entra no escopo desde o primeiro dia, junto com o layout.

Quando redesenhar e quando só corrigir

A Nielsen Norman Group, referência em usabilidade, defende a melhoria incremental como padrão e o redesign completo como exceção: quando a tecnologia impede o que o negócio precisa, quando a estrutura ficou incoerente depois de anos de remendo ou quando a conversão segue baixa mesmo depois das correções pontuais. O mesmo texto alerta que redesign motivado por cansaço do visual costuma trocar o que funcionava sem resolver a causa[1].

SituaçãoCaminhoPor quê
Página lenta, formulário com erro, texto desatualizadoCorrigirO problema é localizado. Redesenhar tudo aumenta o risco sem aumentar o ganho.
Marca nova, mesma oferta e mesma estruturaTrocar só o visual e manter URLs, formulários e tagsÉ o redesign de menor risco: a medição pode ficar intacta.
A oferta mudou e o site conta a história antigaRedesenhar a estruturaMenu, páginas e caminho do lead precisam refletir o que se vende hoje.
Plataforma que ninguém consegue atualizar, ou site parado há anosRedesenhar e trocar de plataformaO custo de manter passou o de refazer.
Duas marcas ou mais com sites separadosUnificar, em etapasCada site tem tráfego, links e leads próprios. Juntar tudo de uma vez impede saber o que causou uma queda.
Liste o que o site precisa fazer e o atual não consegue. Se a lista cabe em correções, corrija.

Para quem cuida do marketing sozinho e tem um site parado há anos, vale um passo antes: medir o site atual por algumas semanas, quantos contatos chegam e de onde. Assim o site novo já nasce com uma base de comparação.

O que costuma quebrar num redesign

O SEO costuma ter dono no projeto. A medição quase nunca tem, e por isso quebra em silêncio. Este é o inventário do que conferir:

ItemComo quebraO que você perde
Formulário para o CRMOutro plugin ou outra integração, e o lead para de chegar ou chega incompleto.O lead em si. É a quebra mais cara e a mais lenta de perceber.
Campos ocultos de origemO formulário antigo gravava UTM, gclid (o identificador do clique no Google Ads) e página de entrada. O novo não grava.O CRM deixa de saber de onde veio cada venda.
Eventos do GA4O evento de lead muda de nome, deixa de ser evento-chave ou passa a disparar no clique em vez do envio.A série histórica e a conversão importada para o Google Ads.
Conversão do Google AdsA tag ficou presa na página de obrigado antiga, que deixou de existir.A campanha otimiza com menos sinal, ou com sinal errado.
Pixel e API de Conversões da MetaO pixel do navegador e o envio pelo servidor chegam com identificadores diferentes.O lead conta duas vezes, e o custo por lead parece metade do real.
Contêiner do GTMO site sobe com contêiner vazio, de teste ou com dois ao mesmo tempo.Todas as tags de uma vez, ou todas em dobro.
Banner de consentimentoO banner novo não conversa com o modo de consentimento do Google.Medição e remarketing de quem aceitou.
Clique no WhatsAppO botão novo abre o WhatsApp por outro caminho e o evento antigo não reconhece.Os contatos que chegam pelo WhatsApp.
Unificação de domíniosA visita passa de um domínio para outro sem medição entre domínios.A origem: a sessão chega ao formulário como visita do próprio site.
UTM em link internoBanners internos ganham UTM para “medir o clique”.A campanha que trouxe a pessoa, sobrescrita pela UTM interna.
Quase nada desta lista dá erro na tela. O formulário mostra “enviado”, e o dado some depois.

Três pontos pedem atenção. A Meta só descarta o evento repetido quando o eventID do pixel é igual ao event_id da API de Conversões e o nome do evento bate, numa janela de 48 horas[2]. As conversões otimizadas do Google Ads mandam e-mail ou telefone do lead criptografados para melhorar a medição[3], e param sem aviso se o formulário muda o nome dos campos. E no modo de consentimento avançado as tags mandam medição sem cookie quando a pessoa recusa, enquanto no básico nada sai antes da escolha[4]: trocar de banner pode trocar de modo sem ninguém decidir. Para cada peça em detalhe, veja event tracking, conversões no Google Ads e rastreamento server-side.

Como implementar na prática

Antes do lançamento, você fotografa o que existe e escreve o plano de medição. No dia, executa o que já foi testado na homologação. Depois, compara com a foto, semana a semana.

Onde os dados moram

GA4 Eventos, eventos-chave, páginas de entrada, retenção de dados e anotações.
GTM Versão publicada do contêiner, com tags e acionadores.
CRM Leads por origem, campos de UTM e gclid, etapa de cada lead.
Google Ads e Meta Ações de conversão, status das tags e API de Conversões.
Search Console Impressões e cliques por página, com comparação entre períodos.

Quem precisa entrar

Quem faz o site Template, formulários, GTM no código e homologação.
Marketing Plano de medição, eventos, conversões e UTMs das campanhas.
Comercial Confere se o lead chega completo ao CRM.
TI ou dados Domínio, consentimento e API de Conversões.
Diretoria Aprova o número de prova antes do lançamento.
  1. 1 Antes: congele a foto. Exporte leads por origem do CRM, eventos-chave do GA4, conversões das plataformas e desempenho do Search Console das últimas semanas.
  2. 2 Antes: confira a retenção do GA4. Muitas propriedades estão em 2 meses, limite que vale para explorações e relatórios de funil. Ligue 14 meses antes do lançamento[5].
  3. 3 Antes: escreva o plano de medição. Uma linha por evento: nome, onde dispara, se é evento-chave, para quais plataformas vai. O nome do evento de lead não muda.
  4. 4 Antes: inventarie os formulários. Cada campo, cada campo oculto e o destino no CRM. O novo replica tudo.
  5. 5 Antes: leve o mesmo contêiner do GTM para a homologação e confira cada tag no modo de visualização.
  6. 6 Antes: teste de ponta a ponta, o passo que mais se pula. Entre por um link com UTM de teste, envie o formulário e confira o lead no CRM com a origem certa: a mensagem de “enviado” só confirma o clique.
  7. 7 No dia: publique um único contêiner e ative os redirecionamentos do guia de migração.
  8. 8 No dia: um lead real de teste por canal, orgânico, Google Ads, Meta e WhatsApp, conferido no CRM e em cada plataforma.
  9. 9 No dia: anote o lançamento no GA4. A anotação aparece em todos os gráficos de linha e explica a mudança para quem ler depois[6].
  10. 10 Depois: compare toda semana leads no CRM, eventos-chave no GA4 e conversões nas plataformas. Diferença que muda de tamanho depois do lançamento é medição quebrada.
  11. 11 Depois: feche a leitura com o número e o período combinados com a diretoria.
Conhecer o desenvolvimento de sites

Como provar para a diretoria que o site novo não piorou

A diretoria aprovou o site pela marca e vai querer saber se ele vende. A resposta precisa de três combinados antes do lançamento: qual número, contra qual período e o que conta como “não piorou”.

NúmeroOnde medirPara que serve
Leads qualificados vindos do site, por semanaCRMO número principal: o que o comercial recebe e a diretoria entende. Ver MQL.
Taxa de conversão das páginas mais visitadasGA4Mostra se o site novo converte melhor ou pior o mesmo visitante.
Leads por origemCRM, pelos campos de UTMSepara efeito do site de efeito de campanha que começou ou parou.
Cliques orgânicos sem a busca pela marcaSearch ConsoleMostra se a troca custou posição no Google.
Busca pela marca antiga e pela novaSearch ConsoleEm troca de nome, mostra se o mercado já procura a marca nova.
Um número principal e poucos de apoio. Quanto menos gráficos, mais fácil a diretoria decidir.

Para a comparação valer:

  1. Mesmo tamanho de período. Quatro semanas depois contra as quatro anteriores e, se há sazonalidade, contra as mesmas semanas do ano anterior.
  2. Sem a semana do lançamento. Ela tem teste, correção e visita curiosa.
  3. Mesma régua. Se a definição do evento mudou, o GA4 perde valor na comparação. Por isso o CRM é a fonte principal: o lead que chega lá é o mesmo antes e depois.
  4. Registro do que mais mudou. Campanha nova, verba cortada, feriado. Sem registro, qualquer variação vira culpa ou mérito do site.
  5. Critério escrito. Por exemplo: leads qualificados do site na mesma faixa do período anterior, com o orgânico se recuperando no prazo que o Google descreve para migrações, de algumas semanas ou mais em sites de porte médio[7].

O ideal é essa comparação morar num painel que liga as fontes, do clique ao contrato, atualizado toda semana. Com marketing e diretoria olhando o mesmo número pela mesma régua, a conversa sai de “o site piorou?” e vai para “onde o lead está parando?”. É a leitura que a Incuca monta nos projetos de site, e que a atribuição sustenta quando a pergunta chega à venda.

Quanto custa um redesign e o que muda o preço

Não encontramos uma faixa de preço de redesign no Brasil publicada com método que sirva de referência honesta. Os valores que circulam misturam site de cinco páginas com portal de centenas, e por isso não citamos número aqui. O que dá para fazer é mostrar o que move o custo, para comparar propostas pelo mesmo escopo. Para a conta de um site do zero, veja quanto custa fazer um site.

O que move o custoPor que pesaPergunta para a proposta
Modelos de páginaCada modelo é desenho, código e teste. Cem páginas em cinco modelos custam menos que trinta em quinze.Quantos modelos estão incluídos?
ConteúdoReescrever, produzir imagem e aprovar com as áreas costuma levar mais tempo que o layout.Quem escreve e quem aprova?
Migração de URLsInventário, mapa de redirecionamentos e monitoramento crescem com o site antigo.O mapa de 301 e o acompanhamento estão no escopo?
MediçãoPlano de eventos, GTM, conversões, API de Conversões e teste de ponta a ponta.Quem garante que o lead chega ao CRM com a origem?
IntegraçõesCRM, automação, ERP e área logada são projetos dentro do projeto.Quais estão incluídas?
Idiomas e marcasCada idioma ou marca a mais multiplica conteúdo, redirecionamentos e testes.Quantos idiomas e domínios entram?
Plataforma e aprovaçãoTrocar de plataforma soma migração e treinamento. Cada área que aprova soma rodadas.O time vai editar sozinho depois? Quantas rodadas estão previstas?
A diferença entre duas propostas quase sempre está em migração, medição e integrações, as linhas que a mais barata costuma deixar de fora.

O custo que não aparece na proposta é o do lead perdido nas semanas em que ninguém percebeu a quebra. Por isso migração e medição entram como linhas do orçamento, cada uma com dono.

Armadilhas comuns

Renomear o evento de lead

O fornecedor novo tem o próprio padrão e troca generate_lead por outro nome. A conversão importada no Google Ads para e a série do GA4 quebra ao meio. Mantenha o nome e mude só onde ele dispara.

Formulário novo sem os campos escondidos

O lead chega ao CRM sem UTM, sem gclid e sem página de entrada. O volume parece normal, a origem vira “direto” e, meses depois, ninguém sabe qual canal vendeu. Ver integração de CRM e ads.

Unificar marcas sem medir entre domínios

Parte da jornada passa pelo domínio antigo e parte pelo novo. Sem medição entre domínios no GA4, a visita chega ao formulário como se tivesse nascido dentro do site, e o canal que trouxe a pessoa some da conta.

Checklist de implementação

FAQ

Perguntas frequentes sobre redesign de site

As dúvidas de quem vai trocar o site, a marca ou juntar sites sem perder o que funciona.

Pode fazer, quase sempre por formulário ou medição, não por design. Se o formulário novo entrega o lead no CRM com a origem e os eventos mantêm o nome, a troca tende a ser neutra ou positiva.

Para lead, compare pelo menos quatro semanas depois contra quatro antes, sem a semana do lançamento. Para orgânico, o Google fala em algumas semanas ou mais para sites de porte médio, então a leitura de SEO leva mais tempo.

Se URLs e domínio ficam, o efeito vem da busca pela marca: as pessoas continuam procurando o nome antigo por um tempo. Se o domínio muda, é uma migração, e vale seguir o guia de migração de site sem perder SEO.

Um número principal: leads qualificados vindos do site por semana, no CRM, contra o mesmo período antes do lançamento e com o critério de “não piorou” combinado antes. Conversão das páginas principais e orgânico entram como apoio.

Quase sempre é duplicação: pixel e API de Conversões mandam o mesmo lead com identificadores diferentes. A Meta só descarta a repetição quando identificador e nome do evento são iguais nos dois envios, em até 48 horas.

Antes de trocar o site, saiba o que o atual entrega

A prova de que o site novo não piorou começa antes dele existir: saber o que o atual entrega, quais tags estão instaladas e onde o lead já se perde hoje. O Diagnóstico grátis do site confere, a partir do endereço, se o Google entende as suas páginas, se a medição dos anúncios e das vendas está no lugar e quanto o site demora para abrir.

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Referências

  1. [1] Nielsen Norman Group. Radical Redesign or Incremental Change? 2015. https://www.nngroup.com/articles/radical-incremental-redesign/
  2. [2] Meta for Developers. Handling duplicate Pixel and Conversions API events. https://developers.facebook.com/docs/marketing-api/conversions-api/deduplicate-pixel-and-server-events/
  3. [3] Google Ads Help. About enhanced conversions (conversões otimizadas). https://support.google.com/google-ads/answer/9888656
  4. [4] Google for Developers. Consent mode overview (modo de consentimento). https://developers.google.com/tag-platform/security/concepts/consent-mode
  5. [5] Google Analytics Help. Data retention (retenção de dados). https://support.google.com/analytics/answer/7667196
  6. [6] Google Analytics Help. About annotations (anotações). https://support.google.com/analytics/answer/15884203
  7. [7] Google Search Central. How to move a site (site move with URL changes). https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/site-move-with-url-changes
Lucas Adiers Stefanello

Sobre o autor

Lucas Adiers Stefanello

Fundador e CEO da Incuca, onde junta dados de marketing, vendas e receita para mostrar onde a empresa perde venda. Trabalha com tecnologia para negócios desde 2013 e coordena a Comunidade Incuca.