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Como conseguir vaga de marketing no exterior morando no Brasil

15 min de leitura

Em resumo

Empresas americanas contratam marketing no Brasil para ampliar o leque de candidatos e trabalhar no mesmo fuso. Luiz Cordeiro, da Strider, explica o que elas pedem e quais riscos checar antes de aceitar uma proposta.

Neste artigo
  1. O que tem em cada parte da live
  2. Por que empresas americanas contratam marketing na América Latina
  3. Como conseguir vaga de marketing no exterior: o que a vaga pede
  4. Cultura de startup: proatividade e mensagem curta
  5. Os dois riscos para checar antes de pedir demissão
  6. Fuso horário e comunicação assíncrona no time 100% remoto
  7. IA no time remoto: um agente que o time inteiro usa
  8. SEO de carreira: LinkedIn e portfólio que o recrutador encontra
  9. Quem é Luiz Cordeiro
  10. Perguntas frequentes
Como Profissionais BR Conquistam Vagas no Exterior | Luiz Cordeiro
Como Profissionais BR Conquistam Vagas no Exterior | Luiz Cordeiro

Como conseguir vaga de marketing no exterior morando no Brasil? Na conta do Luiz Cordeiro, são quatro peças: inglês C1, pelo menos três anos de experiência, portfólio em inglês e um LinkedIn que o recrutador encontra. A resposta vem desta live da Comunidade Incuca, em que conversei com o Luiz, diretor de marketing da Strider, sobre o que as empresas americanas pedem.

A crença comum diz que trabalhar para fora é coisa de desenvolvedor. A premissa parece razoável, porque empresas estrangeiras pagam em dólar a quem programa. A conclusão que quase todo mundo tira é que marketing fica de fora. O dado que pouca gente foi buscar está do outro lado da mesa. Quem contrata quer ampliar o leque de candidatos. E, segundo o Luiz, a média empresa americana já terceiriza criação para a América Latina porque aqui encontra qualidade melhor pelo mesmo valor. Então a pergunta muda: qual vaga de marketing está aberta, e o que separa você dela?

O que tem em cada parte da live

  • 0:06 · Trabalho no exterior também é para marketing
  • 14:17 · De coordenador no Brasil a analista lá fora
  • 17:51 · Por que empresas americanas contratam na América Latina
  • 19:25 · Vagas de marketing que abrem lá fora e o inglês pedido
  • 21:59 · Cultura de startup: proatividade e fala direta
  • 27:44 · Riscos: runway da startup e vaga presa a um cliente
  • 31:57 · Onde o marketing brasileiro está à frente
  • 34:31 · Fuso horário e rotina de time 100% remoto
  • 42:25 · IA no dia a dia e agentes compartilhados
  • 49:40 · Habilidades, portfólio e SEO de carreira

Por que empresas americanas contratam marketing na América Latina

A explicação que todo mundo dá é economia. O Luiz confirma que ela existe: quem mora no Brasil custa menos, porque o custo de vida e o custo de operação são menores. Só que, segundo ele, esse nem é o motivo principal.

As empresas contratam porque elas querem ter acesso a uma gama maior de candidatos. É muito mais fácil você conseguir um candidato muito bom se você está procurando no universo de diversos países do que só dentro do seu país.

Luiz Cordeiro

Essa premissa muda a leitura da vaga. Se a empresa abre o processo para o continente inteiro, ela quer os melhores que conseguir achar. O filtro fica mais duro, porque você disputa com gente de vários países. Em compensação, a vaga paga em dólar e é totalmente remota.

Há um segundo motivo, e ele é geográfico. Empresas americanas preferem a América Latina à Índia ou ao Leste Europeu porque os horários se sobrepõem. É o que o mercado chama de near shore: contratar perto, no mesmo fuso, para a reunião caber no horário comercial dos dois lados.

O terceiro motivo foi o que mais me chamou a atenção. Na leitura do Luiz, o topo do marketing é parecido nos dois países. A melhor agência brasileira entrega no nível da melhor americana. A diferença aparece no meio. Nos Estados Unidos, o serviço muito bom custa caro, e abaixo dele a qualidade cai rápido. Por isso, nas empresas em que ele trabalhou, todo vídeo e todo web design feitos fora de casa foram terceirizados para profissionais latinos.

Quem trabalha com marketing no Brasil aprendeu a ser designer, redator, analista de mídia e editor de vídeo no mesmo dia, porque o time era pequeno. Essa bagagem é justamente o que esse mercado procura.

Como conseguir vaga de marketing no exterior: o que a vaga pede

Pelo que o Luiz vê nos processos da Strider, são quatro coisas. Vale conferir uma por uma antes de mandar o primeiro currículo.

  1. Uma área que contrata. Produto, design e desenvolvimento já têm mercado consolidado lá fora. Em marketing, abrem vagas de generalista, como analista ou gerente que pega um pouco de cada coisa. Abrem também vagas de conteúdo: SEO, que é o trabalho de fazer uma página aparecer bem quando alguém pesquisa, além de conteúdo especializado e redes sociais.
  2. Experiência. Contratar alguém com menos de três anos de carreira é raro, diz o Luiz. O ideal, na conta dele, é passar de cinco.
  3. Inglês. A régua usada é a escala europeia de proficiência. Para produto, o B2, que é o intermediário avançado, já abre muitas portas. Marketing trabalha com comunicação, então as vagas costumam começar no C1, o avançado. E vale o inglês falado e entendido, além do escrito.
  4. Prova do trabalho em inglês. Currículo e LinkedIn atualizados e um portfólio que o recrutador consiga ler.

O quarto item pesa mais para quem trabalha com criação, e o Luiz é direto sobre isso.

Se você é um profissional de criação e precisa demonstrar que o seu texto é bom, você não vai conseguir demonstrar isso com um portfólio em português.

Luiz Cordeiro

Se você nunca teve projeto internacional, o Luiz sugere traduzir o que já fez. A peça de design ganha uma versão em inglês. A campanha vira um case traduzido. Projetos pessoais em inglês também contam, porque mostram o seu texto no idioma em que você vai trabalhar.

Uma observação sobre o cargo de entrada. O Luiz saiu do Brasil como coordenador de uma equipe de mais de dez pessoas e entrou lá fora como analista. Hoje é diretor de marketing. Ele chama isso de salto de fé: aceitar um degrau abaixo para entrar em outro mercado e crescer dentro dele.

Cultura de startup: proatividade e mensagem curta

Quem paga em dólar para você trabalhar remoto do Brasil é quase sempre startup. As grandes empresas de tecnologia com escritório aqui contratam pela CLT, e esse é outro mercado. O Luiz insiste nessa separação porque ela explica o que vai ser cobrado de você.

Startup tem pouca hierarquia e quase nenhum plano de carreira. Ele veio do setor público, onde se sabe quanto tempo se fica em cada cargo. Numa startup, o cargo da sua próxima promoção muitas vezes ainda não existe. Você constrói esse espaço.

Por isso, ninguém vai passar a lista de tarefas toda manhã. Quem chega de uma grande empresa pode se sentir sem direção nas primeiras semanas. A avaliação olha quem enxerga a oportunidade e age sem pedir aprovação a cada passo.

A outra adaptação é cultural. A comunicação americana é direta: e-mail curto, mensagem de uma linha, pouco papo antes da reunião. Quem nunca trabalhou com americanos às vezes lê essa secura como irritação. O Luiz explica que é só o padrão. Espera-se que o trabalho fale por você.

Adaptar também não exige apagar o jeito brasileiro. Um colega de vendas com quem ele trabalhou em 2022 mandou mensagem anos depois. Contou que tinha copiado um hábito do Luiz: abrir toda mensagem com “bom dia, tudo bem?”. As pessoas passaram a responder a ele de outro jeito.

O Luiz trata isso como troca. Uma parte você ajusta à cultura deles, porque é ela que define como o trabalho é lido. A outra parte você leva daqui, e o time percebe que alguns hábitos brasileiros funcionam bem.

Os dois riscos para checar antes de pedir demissão

Quase todo contrato lá fora é PJ: você presta serviço como empresa, emite nota e fica sem as garantias da CLT. Trocar um emprego fixo por isso tem risco. O Luiz aponta dois que pesam mais para quem é de marketing.

O primeiro é a startup que ainda não gera receita. Ela vive do dinheiro de investidores até o produto encontrar quem pague por ele, o que o mercado chama de product market fit. Lançamento atrasa, produto volta para ajuste, a próxima rodada de investimento pode não vir. A pergunta a fazer na oferta é qual é o runway: quantos meses o caixa atual paga a operação antes de acabar.

Na segunda empresa internacional do Luiz, a startup informou o runway desde a entrada e atualizou sempre que ele mudava. Com uma rodada nova, o prazo dobrou. Com um gasto grande no produto, encurtou. Saber disso permite olhar outras opções antes de o dinheiro acabar.

O segundo risco é a vaga de agência presa a um cliente. Foi o caso da primeira experiência dele lá fora: a agência fechou um cliente e contratou alguém para atendê-lo.

Minha posição era dependente do contrato do cliente. A partir do momento que o cliente quisesse romper o contrato com a agência, não tinha nada que me mantinha ali.

Luiz Cordeiro
SituaçãoO que perguntar antes de aceitar
Startup que ainda não vendeQual é o runway hoje e quando vem a próxima rodada de investimento
Vaga em agênciaVocê vai atender um cliente só ou vários
Contrato PJQuanto da sua reserva cobre meses sem renda, caso o contrato acabe

Fuso horário e comunicação assíncrona no time 100% remoto

O primeiro choque da rotina é o relógio. Com a costa leste americana, de Nova York e da Flórida, a diferença é de uma a duas horas. Você começa às 10h e para às 18h ou 19h. Com a costa oeste, a diferença chega a quatro ou cinco horas. O Luiz já fez reunião com cliente do Pacífico às 20h, 21h, 22h, ajustando a rotina da família ao trabalho.

Algumas empresas trabalham sem horário comum. Cada pessoa cumpre o seu expediente, e o trabalho anda por mensagens respondidas depois, no modo assíncrono. Eu já trabalhei com um time na Indonésia, com 11 horas de diferença. Ali aprendi a escrever em bloco: tudo o que a pessoa precisa para agir, de uma vez, porque a resposta só volta no dia seguinte.

O Luiz viveu a versão extrema disso. Na última empresa, parte do desenvolvimento estava na Polônia e parte nos Estados Unidos. A conversa diária durava 30 minutos. O que não se resolvia ali ficava para o outro dia.

Não tem última hora se a pessoa está dormindo às 5 horas da manhã na hora que você precisa que ela faça uma alteração num arquivo.

Luiz Cordeiro

Para marketing, isso pede planejamento. A peça finalizada de manhã para circular à tarde só funciona quando o time está acordado ao mesmo tempo. Com doze horas de distância, a mudança de última hora simplesmente não acontece.

Há ainda a parte que vale para qualquer trabalho remoto: separar o lugar de trabalho do lugar de descanso e buscar contato fora da tela. Em empresas anteriores, o Luiz só via os colegas no encontro anual presencial. Hoje a Strider tem oito pessoas em Belo Horizonte, e elas se encontram.

IA no time remoto: um agente que o time inteiro usa

O Luiz viu a chegada do ChatGPT e do Claude, assistentes que escrevem e analisam texto, já trabalhando para fora. Ele nota uma diferença de adoção. Nas empresas americanas por onde passou, a liderança aprovava a versão paga para testar. Aqui, a mesma assinatura pesa mais em reais e às vezes trava na aprovação.

O maior ganho, segundo ele, veio do jeito de usar. Em vez de cada pessoa treinar a própria conversa, o time da Strider monta projetos compartilhados. Um agente, que é um assistente de IA configurado com instruções e arquivos da empresa, nasce com uma pessoa e serve ao time inteiro. Cada um corrige, e a correção fica salva na memória.

Um desses agentes guarda a orientação de mensagem da empresa, até a escolha de termos para falar de vaga e de salário. O recrutador escreve do seu jeito, e o agente devolve o texto na voz da marca. A equipe também ligou o Claude ao CRM, o sistema onde se registra cada contato com candidato e cliente, e à central de ajuda. Assim, boa parte do trabalho se resolve num lugar só.

É o mesmo desenho que a gente defende para empresa B2B: agentes de IA alimentados pela mesma base, com o CRM como fonte da verdade. Quando marketing, vendas e atendimento consultam a mesma memória, o cliente recebe a mesma resposta em qualquer ponto de contato.

O Claude sozinho não faz nada. Sem prompt, sem acompanhamento, sem revisão, ele não faz nada.

Luiz Cordeiro

Por isso a Strider observa como o candidato usa IA durante o processo seletivo. Usar é esperado. O que entra na avaliação é o domínio da ferramenta: como a pessoa pede, acompanha e revisa.

SEO de carreira: LinkedIn e portfólio que o recrutador encontra

Para o Luiz, o LinkedIn funciona como cartão de visita no mercado internacional. O currículo em inglês importa, mas é o perfil que aparece quando o recrutador procura. Na Strider, o time de aquisição de talentos busca gente para as vagas o tempo todo. Quem está bem posicionado é visto primeiro.

Ele chama isso de SEO da própria carreira. O profissional de marketing faz isso pela empresa e esquece de fazer por si. A lógica de como encontrar palavras-chave vale aqui: título e descrição do perfil com os termos que o recrutador digita.

No conteúdo, o que pesa é a amplitude. Os times de marketing das contratantes são pequenos, então a vaga pede quem usa vários chapéus. O Luiz cita o termo full stack marketer, emprestado do desenvolvimento: quem faz um pouco de cada parte. Quem já tocou marketing com uma pessoa só conhece esse perfil. Experiência em startup também soma, porque é desse tipo de empresa que vem a maioria das vagas.

A última dica dele é a mais simples. Se você acha que o inglês ainda não está pronto, faça entrevistas.

Uma coisa é você ter o nível de inglês necessário, outra coisa é você ter a confiança no seu próprio inglês.

Luiz Cordeiro

Mande currículos e entre nos processos sem cobrar aprovação na primeira tentativa. A entrevista mede o seu nível com mais precisão que a sua dúvida. O Luiz conta que muita gente descobre ali que está mais adiantada do que imaginava.

Quem é Luiz Cordeiro

Luiz Cordeiro é diretor de marketing da Strider, onde também cuida da aquisição de talentos, e está na quarta empresa internacional. Formado em publicidade, começou como designer, passou cinco anos na Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais e saiu do Brasil como coordenador para entrar lá fora como analista. Mora em Belo Horizonte.

Amanhã de manhã, abra o seu LinkedIn e leia o perfil como um recrutador americano leria. Ele está em inglês? O título usa o termo que a vaga usa? Depois escolha dois trabalhos do portfólio e traduza. E, antes de aceitar qualquer proposta, pergunte qual é o runway da empresa e de quantos clientes a sua vaga depende.

Se você lidera um time e o que chamou a sua atenção foi o agente compartilhado com a IA ligada ao CRM, essa é a conversa que a gente tem com empresas B2B todos os dias. E, para trocar experiência com outros líderes de marketing e operação, a Comunidade Incuca faz lives às quartas, ao meio-dia.

Ver uma demonstração do Intelligence

Esta página nasce da live Como Profissionais BR Conquistam Vagas no Exterior | Luiz Cordeiro, transmitida em 22/05/2026 no canal da Incuca. Para assistir às próximas ao vivo e conversar com quem participa, entre na Comunidade Incuca.

Perguntas frequentes

Dá para trabalhar com marketing para o exterior morando no Brasil?

Dá. Startups americanas contratam profissionais de marketing na América Latina em regime remoto, com pagamento em dólar. O motivo principal é ampliar o leque de candidatos e trabalhar em fuso parecido. O contrato costuma ser PJ.

Qual nível de inglês pedem para vaga de marketing lá fora?

Segundo o Luiz Cordeiro, vagas de produto já abrem a partir do B2, o intermediário avançado. Marketing trabalha com comunicação, então as vagas costumam pedir C1, o avançado, falado e entendido, além de escrito.

Quanta experiência preciso para conseguir vaga de marketing no exterior?

Contratar alguém com menos de três anos de carreira é raro. Na experiência do Luiz com os processos da Strider, o ideal é ter mais de cinco anos.

Quais vagas de marketing mais abrem para brasileiros?

Vagas de generalista, como analista ou gerente de marketing que faz um pouco de cada coisa, e vagas de conteúdo: SEO, conteúdo especializado e redes sociais. Quem soma várias habilidades sai na frente, porque os times são pequenos.

Como saber se uma startup estrangeira é segura para trocar de emprego?

Se a empresa ainda não gera receita, pergunte o runway, ou seja, quantos meses o dinheiro do investimento paga a operação. Em agência, confira se a sua vaga depende de um cliente só.

Usar IA no processo seletivo prejudica o candidato?

Na Strider, não. O uso é esperado. O que entra na avaliação é como a pessoa domina a ferramenta, com bons pedidos, acompanhamento e revisão do resultado.

Lucas Adiers Stefanello

Lucas Adiers Stefanello

Fundador e CEO da Incuca, onde junta dados de marketing, vendas e receita para mostrar onde a empresa perde venda. Trabalha com tecnologia para negócios desde 2013 e coordena a Comunidade Incuca.

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